
A inteligência artificial generativa chegou ao cotidiano jurídico brasileiro. Advogados utilizam ChatGPT, Gemini e Claude para redigir petições; escritórios integram essas ferramentas em seus fluxos de trabalho; e os tribunais, inevitavelmente, recebem o resultado dessa transformação — para o bem e para o mal.
Mas o que significa essa mudança para quem julga? Como magistrados estão vivenciando, na prática, a chegada massiva de documentos potencialmente produzidos ou auxiliados por IA?
Sobre a pesquisa
Sou pesquisador e venho conduzindo um estudo acadêmico sobre como os tribunais brasileiros estão construindo, caso a caso, as fronteiras entre o uso legítimo e ilegítimo de IA generativa na prática jurídica.
Na primeira fase da pesquisa, analisei 21 decisões judiciais de 2025 que trataram de condutas problemáticas envolvendo IA — desde citações de jurisprudência fabricada até petições integralmente geradas por algoritmos sem revisão humana. Os achados revelaram padrões importantes: a verificação como dever central, a construção do advogado como „guardião epistêmico“, e uma postura judicial de domesticação (não rejeição) da tecnologia.
Agora, na segunda fase, quero ir além dos textos das decisões e ouvir diretamente quem está na linha de frente dessa transformação: os magistrados.
Por que entrevistar juízes?
As decisões judiciais nos dizem o que os tribunais determinam oficialmente. Mas não capturam tudo. Não revelam:
- Como, na prática, um juiz percebe que algo pode ter sido gerado por IA
- Se a rotina de análise de petições mudou nos últimos anos
- O que se sente ao encontrar uma „jurisprudência“ atribuída a si mesmo que nunca existiu
- Como magistrados conversam entre si sobre esse tema
- O que esperam, concretamente, dos advogados nesse novo cenário
Essas são questões que só podem ser respondidas por quem vive a experiência.
O que a entrevista envolve
- Duração: 60-90 minutos aproximadamente
- Formato: conversa semi-estruturada (por videoconferência)
- Temas: uso pessoal de IA (se houver), detecção de uso por terceiros, mudanças na rotina, expectativas sobre a advocacia, visão de futuro
- Sigilo: todas as informações são tratadas com absoluta confidencialidade e serão anonimizadas na publicação dos resultados
Não há respostas certas ou erradas. O objetivo é compreender a experiência vivida, não avaliar condutas.
Compromisso ético e retorno aos participantes
Esta pesquisa segue os mais rigorosos padrões de ética acadêmica:
- Anonimização completa: nenhum nome, tribunal específico ou elemento identificador será divulgado
- Consentimento informado: você receberá todas as informações sobre a pesquisa antes de decidir participar
- Controle sobre seus dados: você pode desistir a qualquer momento, sem necessidade de justificativa
- Finalidade exclusivamente acadêmica: os dados serão utilizados apenas para fins de pesquisa
Além disso, assumo o compromisso de retribuir a contribuição dos participantes com acesso privilegiado aos resultados:
- Insights preliminares: compartilharei achados e análises antes mesmo da publicação formal
- Material de utilidade prática: disponibilizarei o conjunto de julgados analisados, padrões observados nas decisões, e outros materiais que possam ser úteis para a prática profissional
- Diálogo continuado: participantes terão a oportunidade de comentar e discutir os achados, contribuindo para o refinamento das conclusões
Participe ou indique
Se você é magistrado(a) e gostaria de contribuir com sua experiência, entre em contato. Sua perspectiva é fundamental para compreendermos como o sistema de justiça está se adaptando a essa transformação tecnológica.
Se você conhece colegas que poderiam ter interesse em participar, ficarei grato pela indicação.
Contato: douglas.carvalho.ribeiro@uni-hamburg.de ou no botão de contato aqui do site 🙂
Esta pesquisa faz parte de um projeto mais amplo sobre a regulação prática da IA generativa na advocacia brasileira, desenvolvido na Universidade de Hamburgo (Alemanha). Os resultados contribuirão para o debate sobre como o direito pode responder adequadamente à complexidade das transformações tecnológicas em curso.